O PEDIDO
Aqui no Estado de São Paulo, o currículo possui diversas disciplinas. Dentre elas, há a Orientação de Estudos, uma matéria que visa trabalhar a recomposição da aprendizagem dos alunos em relação ao ano anterior. Eu ministro essa disciplina nos oitavos anos, mas não temos um vínculo muito forte, pois há apenas uma aula de cinquenta minutos por semana. Esse tempo passa muito rápido.
Certo dia, entrei na sala empolgado para ministrar minha aula. Começamos bem, mas algumas alunas, minhas tutorandas, iam a cada cinco minutos bater na minha porta e me chamar para contar sobre um ocorrido que precisavam que eu resolvesse.
Logicamente, a turma foi perdendo a atenção. São apenas cinquenta minutos, e o conteúdo precisa ser abordado com rapidez. Até que a turma começou a se dispersar... Eu estava tranquilo naquele dia, não queria brigar com ninguém. Pedi para que parassem de conversar, pois queria continuar a aula sem interrupções. No entanto, não pararam, então disse:
-Não irei mais dar aula. Vou fazer a chamada.
Foi então que uma aluna olhou para mim e disse:
-Não, professor. Ainda faltam dez minutos para você terminar sua aula. Quero saber mais.
Aquilo me fez respirar em meio à agitação da garotada. Respirei fundo e, por causa de uma aluna que realmente queria aprender, me recompus e, com a mesma empolgação de antes, finalizei o conteúdo previsto para aquela aula em cinco minutos. Era tudo o que eu queria.
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