O PENTECOSTALISMO NO BRASIL: uma chama que dura há mais de cem anos

 Alan Jorge Silva [1]

Enquanto eles estavam adorando o senhor e jejuando, o Espírito Santo disse: - Separem—me, agora, Barnabé e Saulo para a obra que os tenho chamado. ‘À noite, Paulo teve uma visão na qual um homem da Macedônia estava em pé e lhe rogava dizendo: - Passe à Macedônia e ajude-nos’” (Atos 13. 2; 16.9)

 

RESUMO

O presente trabalho, de natureza bibliográfica, tem como objetivo mostrar, de maneira sintética, o nascimento da Assembleia de Deus no Brasil, destacando, como recorte de pesquisa, desde sua classificação como pentecostal clássica, o chamado dos missionários suecos, as perseguições e o crescimento da Obra de Deus em solo brasileiro. Cabe ressaltar que essa igreja tem mais de vinte e dois milhões de membros somente no Brasil. Além de outros milhões que estão espalhados ao redor do mundo, pois foram alcançados pela mensagem pentecostal dos missionários que, assim como Berg e Vingren, deixaram sua pátria e foram atender ao chamado do Senhor Jesus Cristo.

Palavras-Chave. Pentecostalismo no Brasil. Assembleia de Deus. História da igreja.

  

1. INTRODUÇÃO

A Assembleia de Deus no Brasil é classificada pelos estudiosos como uma igreja pentecostal clássica de primeira onda, ou seja, foi fundada no período de 1910 a 1950, conforme afirma (PORTELLA, 2012, p.3) “O pentecostalismo clássico é entendido, neste artigo, como aquele pentecostalismo que Paul Freston classificou como sendo de primeira onda, isto é, que se desenvolveu de 1910 até 1950”. No mesmo parágrafo, o autor apresenta como sendo de primeira onda a Congregação Cristã (1910) e a Assembleia de Deus ( 1911). Além dessas, ele insere outras duas denominações que foram fundadas após esse período, mas classificando-as como pentecostal clássica de segunda onda que vai de 1950 até 1975, argumentando que “em muitos aspectos, são similares as igrejas de primeira onda” (PORTELLA, 2012, p.3). Tais igrejas são: O Brasil para Cristo (1955) e Deus é Amor (1962).

Fundada por dois missionários suecos: Daniel Berg (1884 – 1963) e Gunnar Vingren a Assembleia de Deus no Brasil, segundo as palavras de (KELM, 2015, p.138) “ é atualmente a maior instituição evangélica do Brasil e um dos fenômenos religiosos mais expressivos do século XX”. No site do Planalto, em uma publicação feita no ano de 2021, quando a assembleia de Deus fazia seus 110 anos, está escrito o seguinte parágrafo mostrando a grandiosidade do número de membros que ela tem:

“Assembleia de Deus, maior Igreja Pentecostal do Brasil, completa 110 anos de uma história que iniciou em Belém do Pará. A comemoração de aniversário já faz parte do calendário da cidade, que conta com 540 templos na capital e 140 mil membros. No Pará, a igreja possui mais de 700 mil membros e 22 milhões em todo o território brasileiro. (PLANALTO, 2021).

Com isso, observa-se que o projeto de Deus, ao revelar o local por nome Pará aos dois missionários, era maior e muito além do que eles estavam imaginando. Deus queria alcançar vidas na América do Sul através da pregação pentecostal.

2. DO CHAMADO AO PRIMEIRO CRENTE BATIZADO NO ESPÍRITO SANTO EM SOLO BRASILEIRO



Um grande avivamento invadiu os Estado Unidos durante o final do século XIX e início do século XX. Dois missionários, impactados pela palavra do Senhor, recebem uma revelação de Deus sobre uma grande obra a ser realizada em um local, que para eles era até então desconhecido. Segundo o pastor Elinaldo Renovato, no livro de apoio da Escola Bíblica Dominical das Lições de Adultos por título: Aviva, ó Senhor, a tua obra, comenta o seguinte a esse respeito:

“Por intermédio do irmão Adolf Uldin, que já os conhecia, souberam que Deus iria enviá-los a um lugar chamado Pará, mas não sabiam onde se encontrava tal lugar. Foram a uma biblioteca pública e pesquisaram, constatando que o Pará era um estado que ficava ao norte do Brasil, na América do Sul. Em oração, sentiram que essa era a vontade de Deus para as suas vidas. (RENOVATO, 2023, p. 97-98)

Observa-se que a confirmação do chamado para a grande obra era de fato vinda de Deus e o Senhor estaria no controle de todas as coisas e conduzindo seus servos à direção do propósito missionário.

Ao chegarem ao Brasil, em 19 de novembro de 1910, ficaram na Praça da República e ali e fizeram a primeira oração em solo brasileiro. Um exemplo de fé iniciar a obra missionária com oração assim como foi nos dias dos apóstolos. Não conheciam ninguém e nem sabiam falar a língua local, mas Deus enviou alguém para encontrá-los. Após os primeiros contatos, foram apresentados ao pastor da Igreja Batista Brasileira que permitiu que os missionários ficassem no porão da igreja. ( RENOVATO, 2023)

Mas como a chama pentecostal ardia no coração dos missionários, a pregação deles começou a incomodar bastante as igrejas tradicionais. Presbiterianos, batistas e metodistas começaram a ficar preocupados, mas assim como Deus  não deixou Elias sozinho, ele foi com os missionários. Havia naquele lugar uma irmã chamada Celina de Albuquerque que fez a declaração que aceitava a pregação e a mensagem dos dois homens de Deus. Ela de fato acreditava na pregação sobre o batismo no Espírito Santo. Em casa ela orava bastante pedindo o batismo, até que no dia oito de junho de 1911, às 1h00 da madrugada a irmã Celina foi batizada no Espírito Santo, sendo a primeira pessoa a ser  cheia do Espírito de Deus em solo brasileiro, batizada no Espírito Santo com a evidência do falar em línguas estranhas. (RENOVATO, 2023).

3. O NASCIMENTO DA ASSEMBLEIA DE DEUS NO BRASIL

O início da obra não foi fácil. Expulsos das igrejas tradicionais e tidos como hereges, os missionários e mais dezenove irmãos fizeram reuniões de oração e pregação da palavra na casa da irmã Celina de Albuquerque. Ali era fundada a Missão de Fé Apostólica, primeiro nome das Assembleias de Deus no Brasil. No entanto, as perseguições foram tantas que tentaram esfaquear um dos missionários. Veja a descrição feita pelo pastor Elinaldo Renovato:

“As perseguições eram grandes: ‘os primeiros batismos no Pará foram feitos todos em segredo, geralmente às 11 hora da noite, pois não tinham nem igrejas nem tanques de batismos’. Num batismo, à beira-mar, os inimigos cercaram o local e quiseram impedir o ato batismal. Um deles sacou de um punhal e investiu contra Vingren. A irmã Celina jogou-se na frente e impediu o crime. O batismo foi realizado sob ameaças, e , ao término, todos molhados saíram às pressas sem trocar de roupa. (RENOVATO, 2023, P. 101)”

Mesmo diante de várias perseguições a apedrejamento da casa onde pregavam, Deus mostrou o seu grande poder, livrando-os poderosamente.

Mas a obra de Deus crescia grandemente e a palavra do Senhor era levada por vários cantos do Pará e depois se espalhou por todos os estados brasileiros. A obra cresceu e o senhor, assim como em Atos 2. 47 “o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos”. E hoje, só no Brasil, mais de vinte e dois milhões de pessoas são crentes assembleianos pentecostais. No livro História da Igreja dos primórdios à atualidade, escrito por Raimundo F. de Oliveira, encontra-se a seguinte passagem:

“Quando Gunnar Vingren deixou Belém, no mês de abril de 1924, de mudança para o Rio de Janeiro, a Assembleia de Deus já era uma realidade presente nas principais cidade do interior do Pará e em algumas capitais de Estados e Territórios brasileiros.” (OLIVEIRA, 1984, p. 179”).

Como diz a letra da música das Assembleias de Deus: “Assembleia de Deus no Brasil chegou cuidando da doutrina e também dos dons, porta que abriu e nunca mais fechou. Deus multiplicou o seu rebanho!”. Glória a Deus!

4. CONCLUSÃO

A Igreja Evangélica Assembleia de Deus tem história. São mais de cento e dez anos de pregação da palavra de Deus no Brasil e no mundo. O presente texto não teve como objetivo abranger toda a história do pentecostalismo no Brasil, pelo contrário, pois até hoje vários estudos como artigos, dissertações e teses são produzidos a fim de descobrir ainda mais os mistérios escondidos pelos vários cantos da nação brasileira. Além disso, cinco páginas não são suficientes para abranger tantos anos de manifestação do poder do Espírito Santo. Observou-se, neste trabalho, desde o conceito do pentecostalismo clássico, da chamada dos missionários e das perseguições que sofreram por amor à chamada a obra de Deus. O nascimento e o seu crescimento: Deus multiplicou o seu rebanho.   

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSEMBLEIA DE DEUS COMPLETA 100 ANOS. PLANALTO, 2021. Disponível em:https://www.gov.br/planalto/ptbr/acompanheoplanalto/noticias/2021/06/assembleia-dedeuscompleta110anos#:~:text=No%20Par%C3%A1%2C%20a%20igreja%20possui,em%20todo%20º20territ%C3%B3rio%20brasileiro. Acesso em: 17 de março de 2023.

BÍBLIA SAGRADA: Nova Almeida Atualizada ( J. Ferreira de Almeida, trad.). (2018). Sociedade Bíblia do Brasil.

História do Pentecostalismo – Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Min. Belém – Campinas/SP.

KELM, Thiago Rafael Englert. A formação da Assembleia de Deus no Brasil e a abertura para um novo modo de ser: reflexões a partir de Paul Tillich. Revista Eletrônica Correlatio, São Paulo, v.14, n. 28,  p. 137 – 150, dezembro, 2015.

PORTELLA, Rodrigo. Pentecostalismo Clássico e valores de autonomia: sobre o poder simbólico das representações pentecostais. REVELETEO – Revista Eletrônica Espaço Teológico, São Paulo, v. 06, n.10, p. 03-15, jul/dez, 2012.

RENOVATO, Elinaldo. Aviva a Tua Obra: O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. 1ª edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

OLIVEIRA, Raimundo F. de. História da Igreja: dos primórdios à atualidade. 2ª edição. Campinas: EETAD, 1984.



[1] Servo de Jesus Cristo e cooperador na congregação Vila Diva, setor 09, Jardim Fernanda e aluno do curso CFO  – Curso de Formação de Obreiros – da ESTEADEC,  TURMA – A,  SÁBADO, da Assembleia de Deus Ministério do Belém em Campinas

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